quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Avaliação? O que eu tenho, ou ganho, com isso?



Realizar um grupo focal é uma experiência capaz de ensinar muitas coisas. Em um dos primeiros grupos focais que realizei em uma instituição de ensino superior, tive a impressão que todos os envolvidos, de alguma forma, encontraram nessa ocasião uma oportunidade para "desabafar" seus descontentamentos. Não que isso não conte. Porém, não é esse o objetivo principal de um grupo focal. Então, depois de explicar a dinâmica do instrumento usado para coletar os depoimentos, procurei criar uma oportunidade para que todos pudessem fazer também um autoexame. Descobri que convidar representantes de alunos, técnicos ou professores, era só o começo. Além de sensibilizá-los, era necessário deixar claro os objetivos da reunião com seus pares e com representantes dos outros segmentos universitários. 

Autoavaliar-se não é coisa fácil. Existe sempre uma dificuldade em falar de si mesmo. Considerei mais fácil conduzir as entrevistas se todos falassem como representantes de seu segmento. Assim, o aluno A, por exemplo,  poderia avaliar sua atuação como integrante do corpo discente. O professor B, daria o seu depoimento a partir da sua leitura sobre o papel do professor no processo de crescimento do instituição. É claro que existe nesses momentos avaliativos um certo grau de subjetividade. Nossa visão é quase sempre a de defender o nosso papel. Isso quando podemos exergá-lo com clareza. Em alguns casos, não parece que os problemas institucionais podem ter algo a ver conosco. Estamos cumprindo a nossa parte. Então, que temos com isso? As fragilidades da instituição foram provocadas por ela mesma.

De certa maneira, todos ganhamos ou perdemos quando as coisas não vão bem dentro da nossas escolas de ensino superior. Ignorar esse fato pode ser perigoso. Por isso, o momento dedicado para falar daquilo que não estava funcionando bem não poderia se resumir a encontrar culpados. Verifiquei que era momento de encontrar soluções viáveis, práticas e mais abrangentes. A partir dos resultados dos grupos, era criada uma lista de idéias propostas por professores, alunos e técnicos e organizadas de acordo com a maior viabilidade de operacionalização, apresentada por cada uma delas. Os autores dessas soluções eram ouvidos pela direção e pude perceber que a avaliação assumia outro sentido para os participantes.


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