quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Avaliação externa e os cinco eixos

Desde que foi publicada a portaria n. 92 de 31 de janeiro de 2014, as atenções das IES voltaram-se para o quadro de indicadores que esse instrumento legal sintetizou em seu texto. Não que esses indicadores sejam novidades, mas reafirmaram os principais pontos da avaliação institucional. Então, vamos trabalhar um pouco os cinco eixos da avaliação que, juntos, comportam as principais dimensões avaliativas para fins de credenciamento, recredenciamento e transformação de organização acadêmica.

* O eixo 1 abrange o planejamento e avaliação institucional. Em essência, procura encontrar evidências de que os processos avaliativos realizados na instituição foram comparados entre si em diferentes momentos da trajetória da IES, e que serviram como base para mudança e manutenção dos diferentes pontos ressaltados nos relatórios de autoavaliação. Já ouvi uma certa vez que, a escolha por manter um ponto frágil pode ser perfeitamente justificada desde que a justificativa tenha base na realidade local e na posição estratégica da organização dentro de uma determinada região. Faz sentido. Um exemplo disso são faculdades que funcionam em prédios alugados para destinar maiores recursos a outras áreas; 

* O eixo 2 é um indicador espinhoso para todas as IES. As instituições sofrem com escassez de recursos e fazer pesquisa e extensão de qualidade, como todo mundo já sabe, requer boa estrutura física, profissionais técnicos e pesquisadores bem qualificados. O modo como cada instituição lida com isso depende muito da categoria administrativa a que pertence. Uma escola privada de ensino superior tem fonte de receitas diversa de uma escola pública. A queda na demanda por cursos oferecidos pela IES particular atinge diretamente a remuneração dos docentes e isso pode afetar também seu planejamento de médio prazo; 

* O eixo 3. Desse indicador vou comentar apenas o aspecto relacionado à comunicação com a sociedade interna e externa. Não se trata apenas de manter os e-mails coorporativos em dia, ou ter uma boa equipe de marketing. É importante, especialmente, tratar os diferentes segmentos da comunidade acadêmica dentro de suas esferas de atuação. Quero dizer, não se pode desejar uma comunidade de colaboradores realmente interessada em cumprir sua parte na relação com a IES, se essa participação não for estabelecida com clareza. O que eu espero do docente? Do quadro técnico? Da comunidade externa? Eles precisam saber e isso precisa ser bem comunicado;

* O eixo 4 trata da políticas de gestão. Pois bem, já se diz que o maior problema ligado à qualidade insatisfatória de nossa educação é justamente o padrão de gestão adotado por nossas escolas. Essa questão é delicada, uma vez que os diferentes perfis de gestores abrigam também diversas formas de conduzir a gestão de uma IES. Não existe um concenso sobre as prioridades em cada instituição e como essas podem ser cumpridas;

* O eixo 5 envolve uma questão básica: uma estrutura física bem pensada e construída melhora, de maneira significativa, o desempenho das atividades acadêmicas e rotinas administrativas da IES. Porém, é preciso haver equilíbrio na decisão sobre investimentos em infraestrutura. Em que sentido? Quando a instituição decide construir mais salas ou novos laboratórios, é bom pensar na dinâmica dos cursos que ela oferece. Por exemplo, não parece razoável construir um laboratório específico para um curso que será descontinuado em breve por falta de demanda. É bom dar atenção ao mercado de trabalho também. A maioria dos ingressantes no ensino superior vai procurar um curso em sintonia com as sinalizações do mercado e não apenas motivados pelas promessas de inserção feitas pela instituição de ensino.



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