Entre as tarefas mais desafiadoras do processo avaliativo está o exame das condições de ensino e aprendizagem. De certa maneira, os docentes acreditam fazer o que é preciso para promover o aprendizado dos seus alunos e estes, em boa parte, acreditam que os professores não estão fazendo o suficiente. Encontrar o caminho para equacionar as diferentes expectativas envolvidas é sempre um trabalho que requer muita atenção e boa vontade. Em uma pesquisa, utilizada para avaliar o desempenho de professores, podem ser adotados conceitos que vão de "muito bom" a "ruim". A adoção desses conceitos pode ser interessante mas, abriga uma certa imprecisão quanto ao significado que estes termos podem tomar. Afinal de contas, o que seria um professor "muito bom", ou "ruim"? Imagine uma situação onde um professor que foi designado para lecionar uma disciplina de cálculo, tenha pela frente uma turma com sérios problemas de base matemática. E, em decorrência disso, as notas dos primeiros exames sejam baixas, para a maioria dos alunos. Isso classificaria o professor como ruim? Sem dúvidas, houve um problema de aprendizagem. A quem devemos creditar os resultados desse fato é uma questão que exige uma reflexão crítica sobre o processo educativo.
Existem modelos de escolas de ensino superior onde os professores trabalham de maneira processual, explorando as potencialidades dos discentes e identificando suas fragilidades. Sim, identificar as fragilidades e não ignorá-las faz parte de um trabalho efetivamente capaz de realizar alguma mudança. Se temos alunos com problemas de base, esses problemas precisam ser solucionados. E essa solução deve ser construída conjuntamente: docentes preparados e comprometidos e discentes, atentos e interessados. Mundo perfeito, não? Mas, esse é um dos caminhos. A experiência com a avaliação das condições de ensino e aprendizagem mostrou-me que se não damos atenção aos sinais emitidos por nossos alunos, nosso ensino servirá apenas a nós mesmos. E não existe ensino dissociado da aprendizagem. O professor também precisa ser autocrítico.
Sobre as condições relacionadas aos recursos para garantir o enfrentamento dos desafios de nosso ensino superior, tive o cuidado de notar que a escolha sobre onde alocar os recursos disponíveis para a realização dos objetivos da IES é determinante para construir um ambiente acadêmico promissor. Não basta apenas construir laboratórios bem equipados. A dinâmica de utilização desses laboratórios e a presença de profissionais bem qualificados para dar suporte aos docentes e discentes é fundamental. Muitas universidades públicas e privadas têm alocado recursos em função do crescimento da demanda por novos cursos e podem correr o risco de deixar de lado a preocupação com a efetividade da relação ensino aprendizagem. Como estão sendo formados os futuros profissionais e o que nossos estudantes estão realmente aprendendo são questões que requerem nossa atenção.

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