terça-feira, 25 de agosto de 2015

A avaliação como um desafio

Quando comecei meus trabalhos como coordenadora da comissão de avaliação de uma faculdade privada, a primeira coisa que pensei foi: como vou poder operacionalizar a proposta avaliativa do MEC, considerando a realidade de minha instituição? A IES onde eu trabalhava tinha muitos alunos, um número considerável de professores e um expressivo corpo técnico-administrativo. Então, como envolver todos os segmentos acadêmicos nesse desafio que representa a avaliação institucional? Realizar um trabalho alheio à participação da comunidade acadêmica significaria abrir mão da legitimidade do processo. Dessa forma, decidi que era preciso saber trabalhar com os recursos disponíveis, geralmente escassos, e contar com a ajuda efetiva de meus companheiros de trabalho. Daí até a construção dos relatórios de avaliação foi um longo caminho, percorrido com muito trabalho e estudo. Por isso, antes de começar a pensar nesse blog, fiz o exercício de colacar-me no lugar dos muitos colegas que estão a frente das avaliações de suas instituições e julguei importante pontuar, ao menos, cinco recomendações iniciais:

Primeira - Nunca, mas nunca mesmo, conduza um conjunto de atividades avaliativas sem antes ter uma idéia clara de qual é seu objetivo com elas. Professores, alunos e técnicos não darão a mínima importância para esse trabalho se você não estiver convicto da necessidade daquilo que está fazendo;

Segunda - Leia e estude com atenção as dimensões e critérios de avaliação propostos nos documentos publicados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). O site do INEP será consulta diária obrigatória;

Terceira - Construa modelos de documentos de planejamento capazes de dar visibilidade ao trabalho da avaliação. Exemplos: calendário de avaliação docente, planos de trabalho envolvendo o exame das condições de ensino, entre outros. Para algumas instituições o trabalho da comissão de avaliação só aparece no momento da visita dos avaliadores do MEC, em outros momentos é praticamente invisível;

Quarta - Procure dar um ritmo ao que faz. É muito comum perder o ritmo dos trabalhos, ora pela dificuldade de conseguir a participação necessária para dar legitimidade aos resultados alcançados, ora pelo envolvimento com outras atividades atribuídas aos avaliadores. Não raro, os coordenadores de avaliação experimentam a pressão dos prazos e isso pode provocar um certo desgaste.

Quinta - Não deixe de dar o devido retorno a quem ajudou na realização do processo de avaliação. Isso é importante, principalmente quando estamos querendo dar transparência e credibilidade ao que é gerado a partir das informações coletadas junto à comunidade acadêmica.


Por fim, é bom estar atento ao fluxo de informações vindos dos diversos setores institucionais. Como você vai perceber, eles serão imprescindíveis à realização de um bom trabalho.